25.2.05

Amarga Cana

Ah, cachaça
Mardita cana
O que eu fiz?
Onde eu tava mesmo?
Arrependimento.
Arrependimento.
Em cima da mesa.
Embaixo na lama.
Vira, vira, vira.
Virei.
Motivo de chacota .
Salário – lixo.
Carro – poste.
Cicatriz.
Impossível esconder.
Cana, ou te amo
Ou te deixo.
Prefiro amar
E agüentar a ressaca.

15.2.05

Flor de Lótus

Onde é o seu campo?
Onde nascem suas flores?
Onde sinto a sua fragrância?

Planto a sua semente
Nas ondas dos mares
A sua essência é a minha busca

Flor de Lótus
Fogo, água, terra e ar
Seu perfume me faz amar

Na escuridão da alma
Criou raízes
Tornou-se flor eterna
Pureza e perfeição

Surgiu imaculada
Das águas lodosas
Cresceu e se tornou minha salvação

11.2.05

Desconheço

Os teus olhos nunca vi
Não sei que poder tem o teu olhar
Tua pele nunca toquei
Não sei o que ela pode em mim causar
Te cheiro nunca senti
Não sei o que pode de ti exalar

Nunca te beijei, nem te abracei
Muito menos contigo sonhei

Mas de uma coisa sei
És mais mulher do que muito Rei

4.2.05

Terceira Dor

"É Sião que dorme ao luar. Vozes diletas
Modulam salmos de visões contritas...
E a sombra sacrossanta dos Profetas
Melancoliza o canto dos levitas.

As torres brancas, terminando em setas,
Onde velam, nas noites infinitas,
Mil guerreiros sombrios como ascetas,
Erguem ao Céu as cúpulas benditas.

As virgens de Israel as negras comas
Aromalizam com os ungüentos brancos
Dos nigromantes de mortais aromas...

Jerusalém, em meio às Doze Portas,
Dorme: e o luar que lhe vem beijar os flancos
Evoca ruínas de cidades mortas."
(Alphonsus de Guimaraens)