1.6.05

Vida

"Há momentos na vida em que sentimos tanto a falta de alguém, que o que mais queremos é tirar esta pessoa de nossos sonhos e abraçá-la.
Sonhe com aquilo que você quiser. Vá para o­nde você queira ir.
Seja o que você quer ser, porque você possui apenas uma vida e nela só temos uma chance de fazer aquilo que queremos.
Tenha felicidade bastante para fazê-la doce.
Dificuldades para fazê-la forte.
Tristeza para fazê-la humana.
E esperança suficiente para fazê-la feliz.
As pessoas mais felizes não têm as melhores coisas.
Elas sabem fazer o melhor das oportunidades que aparecem em seus caminhos.
A felicidade aparece para aqueles que choram. Para aqueles que se machucam. Para aqueles que buscam e tentam sempre. E para aqueles que reconhecem a importância das pessoas que passam por suas vidas.
O futuro mais brilhante é baseado num passado intensamente vivido.
Você só terá sucesso na vida quando perdoar os erros e as decepções do passado.
A vida é curta, mas as emoções que podemos deixar, duram uma eternidade.
A vida não é de se brincar porque em pleno dia se morre."

(Clarice Lispector)

27.4.05

A Hora do Anjo

A lua, os sinos
Estrelas buscam seus encantos
O universo conspira
As mentes se calam
O tempo se transmuta em suspiros
Só o som da noite embala as almas

Aos poucos meu coração se abre
E se torna uma só batida
Pensamentos fogem pelos olhares
Minha alma sente a sua presença
Seu brilho ilumina meu corpo
Já consigo te sentir

Para poder te olhar nos olhos
Talvez eu me sinta inocente
Seus lábios se aproximam dos meus
Seu corpo aquece meu espírito
Minhas mãos se apegam às suas
Voamos...

Sua presença me faz eterna
Adormeço em seus braços
Sonho com a sua realidade
Te faço instante
E vôo pro seu corpo
Pela milésima vez.

7.4.05

VIVER NÃO DOI

"Definitivo, como tudo o que é simples.

Nossa dor não advém das coisas vividas,

mas das coisas que foram sonhadas

e não se cumpriram.

Por que sofremos tanto por amor?

O certo seria a gente não sofrer,

apenas agradecer por termos conhecido

uma pessoa tão bacana,

que gerou em nós um sentimento intenso

e que nos fez companhia por um tempo razoável,

um tempo feliz.

Sofremos por quê?

Porque automaticamente esquecemos

o que foi desfrutado e passamos a sofrer

pelas nossas projeções irrealizadas,

por todas as cidades que gostaríamos

de ter conhecido ao lado do nosso amor

e não conhecemos, por todos os filhos que

gostaríamos de ter tido junto e não tivemos,

por todos os shows e livros e silêncios

que gostaríamos de ter compartilhado,

e não compartilhamos.

Por todos os beijos cancelados,

pela eternidade.

Sofremos não porque nosso trabalho é desgastante

e paga pouco, mas por todas as horas livres

que deixamos de ter para ir ao cinema,

para conversar com um amigo,

para nadar, para namorar.

Sofremos não porque nossa mãe

é impaciente conosco,

mas por todos os momentos em que

poderíamos estar confidenciando a ela

nossas mais profundas angústias

se ela estivesse interessada

em nos compreender.

Sofremos não porque nosso time perdeu,

mas pela euforia sufocada.

Sofremos não porque envelhecemos,

mas porque o futuro está sendo

confiscado de nós, impedindo assim

que mil aventuras nos aconteçam,

todas aquelas com as quais sonhamos e

nunca chegamos a experimentar.

Como aliviar a dor do que não foi vivido?

A resposta é simples como um verso:

Se iludindo menos e vivendo mais!!!

A cada dia que vivo,

mais me convenço de que o

desperdício da vida

está no amor que não damos,

nas forças que não usamos,

na prudência egoísta que nada arrisca,

e que, esquivando-se do sofrimento,

perdemos também a felicidade.

A dor é inevitável.

O sofrimento é opcional."
(Carlos Drumond de Andrade)

22.3.05

Reinvenção

"A vida só é possível
reinventada.

Anda o sol pelas campinas
e passeia a mão dourada
pelas águas, pelas folhas...
Ah! tudo bolhas
que vem de fundas piscinas
de ilusionismo... - mais nada.

Mas a vida, a vida, a vida,
a vida só é possível
reinventada.

Vem a lua, vem, retira
as algemas dos meus braços.
Projeto-me por espaços
cheios da tua Figura.
Tudo mentira! Mentira
da lua, na noite escura.

Não te encontro, não te alcanço...
Só - no tempo equilibrada,
desprendo-me do balanço
que além do tempo me leva.
Só - na treva,
fico: recebida e dada.

Porque a vida, a vida, a vida,
a vida só é possível
reinventada."
(Cecília Meireles)

16.3.05

Transpiro-te

Faltava-me o ar
Nessas noites de suor
Faltava-me o sonho
Nessas noites de pesadelos
Faltava-me o aconchego
Nessas noites solitárias

Faltava-me o boa noite
Nessas noites de silêncio
Faltava-me o cheiro
Nessas noites inodoras
Faltava-me acordar
Nessas noites onde só durmo

Agora transpiro-te
O que era dor,
Agora passo a chamar amor
E o que era falta,
Agora passo a chamar presença
Transpiro-te e adormeço.

25.2.05

Amarga Cana

Ah, cachaça
Mardita cana
O que eu fiz?
Onde eu tava mesmo?
Arrependimento.
Arrependimento.
Em cima da mesa.
Embaixo na lama.
Vira, vira, vira.
Virei.
Motivo de chacota .
Salário – lixo.
Carro – poste.
Cicatriz.
Impossível esconder.
Cana, ou te amo
Ou te deixo.
Prefiro amar
E agüentar a ressaca.

15.2.05

Flor de Lótus

Onde é o seu campo?
Onde nascem suas flores?
Onde sinto a sua fragrância?

Planto a sua semente
Nas ondas dos mares
A sua essência é a minha busca

Flor de Lótus
Fogo, água, terra e ar
Seu perfume me faz amar

Na escuridão da alma
Criou raízes
Tornou-se flor eterna
Pureza e perfeição

Surgiu imaculada
Das águas lodosas
Cresceu e se tornou minha salvação

11.2.05

Desconheço

Os teus olhos nunca vi
Não sei que poder tem o teu olhar
Tua pele nunca toquei
Não sei o que ela pode em mim causar
Te cheiro nunca senti
Não sei o que pode de ti exalar

Nunca te beijei, nem te abracei
Muito menos contigo sonhei

Mas de uma coisa sei
És mais mulher do que muito Rei

4.2.05

Terceira Dor

"É Sião que dorme ao luar. Vozes diletas
Modulam salmos de visões contritas...
E a sombra sacrossanta dos Profetas
Melancoliza o canto dos levitas.

As torres brancas, terminando em setas,
Onde velam, nas noites infinitas,
Mil guerreiros sombrios como ascetas,
Erguem ao Céu as cúpulas benditas.

As virgens de Israel as negras comas
Aromalizam com os ungüentos brancos
Dos nigromantes de mortais aromas...

Jerusalém, em meio às Doze Portas,
Dorme: e o luar que lhe vem beijar os flancos
Evoca ruínas de cidades mortas."
(Alphonsus de Guimaraens)

25.1.05

Incipit tragoedia

Coral de mil vozes.
Corifeu à frente.
O sentimento: eudemonia.
Platéia em silêncio.
Silêncio.
Espera e silêncio.

Não entra Antígona.
Nem Creonte.
Quem entra sou eu.
No palco trágico do sentir.

Sófocles se espanta
“Que amor é esse maior
Do que por mim outrora descrito?”
“Quem é essa que chora a ansiedade?”

Respondo em ditirambos.
Quem chora sou eu.
Quem ama sou eu.
Não é mito o meu sofrer.
É o aguardo, a espera
A razão do meu padecer.

De longe grita Antígona:
“Nasci para compartilhar amor, não ódio.”
Mas Creonte responde:
“Se tens de amar,
Então vai para o outro mundo, ama os de lá.”

Respondo, mas não mais em ditirambos.
É tua culpa o meu viver,
O meu sofrer,
E o meu chorar.
Incipit parodia.

24.1.05

Razão de ser

"Escrevo. E pronto.
Escrevo porque preciso,
preciso porque estou tonto.
Ninguém tem nada com isso.
Escrevo porque amanhece,
E as estrelas lá no céu
Lembram letras no papel,
Quando o poema me anoitece.
A aranha tece teias.
O peixe beija e morde o que vê.
Eu escrevo apenas.
Tem que ter por quê?"
(Paulo Leminski)

Amor fati

E se não houvesse escolha?
E se a encruzilhada sempre findasse no mesmo lugar?
E se o mal e o bem não fossem antagônicos,
Mas sim sinônimos?
E se não existisse segunda chance, nem primeira?
E se a ilusão fosse a rainha do seu xadrez?
E o desencanto o seu rei?
E se não houvesse casulo?
E se a metamorfose não fosse uma opção?
Te pergunto com urgência –
E se eu for a sua única opção?
Ah, se tu fosses a minha – amor fati.
Escolhe teu destino.
Ama teu destino.

21.1.05

Iatrogenia

Pontada – calafrio - tremor
Pesado o meu sofrer
Disseram que era enxaqueca
Nietzsche fui ler
Iatrogenia

Câimbra – estalo - idade
Me deixa quieta, por favor!
É sedentarismo, filha. Pára de fumar.
Parei. Caminhei. Corri. Voei.
Iatrogenia.

Medo- angústia – chôro
Acho que meu mal é da alma
Disseram que era solidão.
Dou-lhe uma, duas, três.
Iatrogenia.

É cegueira ou é loucura?
Decida-se!
Não, chega de erro médico.
Meu mal é te querer borboleta
E te ter apenas lagarta.
" Na dúvida , faça.
O risco faz parte.
A graça está
em tentar,
em vez de sentar e assistir;
a vida está
em esticar-se todo pra atingir;
o mundo está
no desafio da interrogação.
E por que não?
Entre na festa,
arranque a capa,
morda a maçã.
Desate o cinto
para voar pelo amanhã,
ainda que ele seja um labirinto.
Pois que viver
não é entrar no mar onde dá pé,
mas mergulhar com fé no maremoto."
(Flora Figueiredo)

20.1.05

Foi ali

Ali mesmo
No acaso
No ordinário
Cotidiano
Te vi – vi sim, não era cega.

Ali mesmo
No insano
No profano
Indesculpável
Te quis – quis sim, não era louca.

Ali, já perdida na impressão que tive
Decidi escolher a cegueira e a loucura
(Para serem meu consolo e repouso)
Depois que percebi que te ver e te querer
È muito pra mim.

Um homem com uma dor

"um homem com uma dor
é muito mais elegante
caminha assim de lado
como se chegasse atrasado
andasse mais adiante"
(Paulo Leminsk)

14.1.05

Já sei o que quero

Quero um amor maior...
Um amor maior que o meu, que o seu.
Maior que o dele, que o dela, que o dela
E o dela também.
Um amor que não faça sentido algum.
Que pro mundo seja uma loucura.
E na sua insensatez me arrebate.
Quero um amor maior...
Um amor maior do que o medo.
Que desbrave o desconhecido e o intangível.
Amor intrépido que corre e não se cansa,
Que não conhece a fadiga e
Sobre o desânimo nunca ouviu falar.
Que no fim sempre encontra fôlego para voar.
Quero um amor maior...
Um amor maior do que a ilusão.
Que não se esconda em conceitos
Nem na experiência alheia.
Amor sem padrão e
Com um fundamento apenas –
A verdade.
Quero um amor maior...
Um amor maior do que cantaram.
Maior do que falaram.
Maior do que pintaram.
Maior do que imaginaram.
Maior do que traduziram
E sem sucesso fingiram.
Quero um amor maior...
Um amor que tudo sofre,
Que tudo crê,
Que tudo espera
...Tudo suporta.
Já sei o que quero –
Me desculpem os loucos,
Mas o que quero é Amor.

13.1.05

- Dói, muito.

Meu coração está rasgado.
Já não corre sangue nas minhas veias.
Já não entra ar em meus pulmões.
Não existem mais as cores,
Nem mesmo os girassóis.
O som da chuva não escuto.
Muito menos o meu coração batendo.
Grito, em desespero: tá doendo.

10.1.05

Tambaú 53 ou Canção dos exílios concêntricos

"Mas onde fica Tambaú ?

Tambaú fica tão longe
na outra beira do mar
lá onde tem areia fina
gostosa de se andar
jangada água de coco
pitomba e mungunzá

Mas onde fica Tambaú ?

Tambaú fica tão longe
na outra beira do mar
lá onde tem lampião
pra espantar o escuro
linda luz de lampião
gostosa de se cheirar

Mas onde fica Tambaú ?

Tambaú fica tão longe
na outra beira do mar
lá onde tem sotaque
feito para se cantar
aquele sotaque gostoso
que me ensinou a falar.

Mas onde fica Tambaú?

Tambaú fica tão longe
na outra beira do mar
na outra beira da vida
na dor do meu lembrar".
(Wanda Lins)

4.1.05

Acordei Adélia

Hoje acordei mais cedo do que de costume.
Mudei a rotina - levantei do outro lado da cama,
não tomei banho quente, nem frio,
deixei a Golda de lado
e fui na chuva ônibus tomar.
Agora li Adélia Prado...
"As galinhas com susto abrem o bico
e param daquele jeito imóvel
- ia dizer imoral -
as barbelas e as cristas envermelhadas,
só as artérias palpitando no pescoço.
Uma mulher espantada com sexo:
mas gostando muito." (Adélia Prado)
Descobri: acordei Adélia.