27.4.05

A Hora do Anjo

A lua, os sinos
Estrelas buscam seus encantos
O universo conspira
As mentes se calam
O tempo se transmuta em suspiros
Só o som da noite embala as almas

Aos poucos meu coração se abre
E se torna uma só batida
Pensamentos fogem pelos olhares
Minha alma sente a sua presença
Seu brilho ilumina meu corpo
Já consigo te sentir

Para poder te olhar nos olhos
Talvez eu me sinta inocente
Seus lábios se aproximam dos meus
Seu corpo aquece meu espírito
Minhas mãos se apegam às suas
Voamos...

Sua presença me faz eterna
Adormeço em seus braços
Sonho com a sua realidade
Te faço instante
E vôo pro seu corpo
Pela milésima vez.

7.4.05

VIVER NÃO DOI

"Definitivo, como tudo o que é simples.

Nossa dor não advém das coisas vividas,

mas das coisas que foram sonhadas

e não se cumpriram.

Por que sofremos tanto por amor?

O certo seria a gente não sofrer,

apenas agradecer por termos conhecido

uma pessoa tão bacana,

que gerou em nós um sentimento intenso

e que nos fez companhia por um tempo razoável,

um tempo feliz.

Sofremos por quê?

Porque automaticamente esquecemos

o que foi desfrutado e passamos a sofrer

pelas nossas projeções irrealizadas,

por todas as cidades que gostaríamos

de ter conhecido ao lado do nosso amor

e não conhecemos, por todos os filhos que

gostaríamos de ter tido junto e não tivemos,

por todos os shows e livros e silêncios

que gostaríamos de ter compartilhado,

e não compartilhamos.

Por todos os beijos cancelados,

pela eternidade.

Sofremos não porque nosso trabalho é desgastante

e paga pouco, mas por todas as horas livres

que deixamos de ter para ir ao cinema,

para conversar com um amigo,

para nadar, para namorar.

Sofremos não porque nossa mãe

é impaciente conosco,

mas por todos os momentos em que

poderíamos estar confidenciando a ela

nossas mais profundas angústias

se ela estivesse interessada

em nos compreender.

Sofremos não porque nosso time perdeu,

mas pela euforia sufocada.

Sofremos não porque envelhecemos,

mas porque o futuro está sendo

confiscado de nós, impedindo assim

que mil aventuras nos aconteçam,

todas aquelas com as quais sonhamos e

nunca chegamos a experimentar.

Como aliviar a dor do que não foi vivido?

A resposta é simples como um verso:

Se iludindo menos e vivendo mais!!!

A cada dia que vivo,

mais me convenço de que o

desperdício da vida

está no amor que não damos,

nas forças que não usamos,

na prudência egoísta que nada arrisca,

e que, esquivando-se do sofrimento,

perdemos também a felicidade.

A dor é inevitável.

O sofrimento é opcional."
(Carlos Drumond de Andrade)