Coral de mil vozes.
Corifeu à frente.
O sentimento: eudemonia.
Platéia em silêncio.
Silêncio.
Espera e silêncio.
Não entra Antígona.
Nem Creonte.
Quem entra sou eu.
No palco trágico do sentir.
Sófocles se espanta
“Que amor é esse maior
Do que por mim outrora descrito?”
“Quem é essa que chora a ansiedade?”
Respondo em ditirambos.
Quem chora sou eu.
Quem ama sou eu.
Não é mito o meu sofrer.
É o aguardo, a espera
A razão do meu padecer.
De longe grita Antígona:
“Nasci para compartilhar amor, não ódio.”
Mas Creonte responde:
“Se tens de amar,
Então vai para o outro mundo, ama os de lá.”
Respondo, mas não mais em ditirambos.
É tua culpa o meu viver,
O meu sofrer,
E o meu chorar.
Incipit parodia.